segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O QUE SERA DA NOSSA JUVENTUDE

O Brasil é um país de contrastes visíveis. Somos um país rico com um povo majoritariamente pobre. Essa realidade nos deixa submissos às grandes potências mundiais e suas corporações multinacionais e cada vez mais distantes do desenvolvimento que atenda à maioria.

Cabe a juventude o desafio de reverter este quadro, inverter esta lógica e passar dos sonhos à realidade, da teoria à prática, das utopias às conquistas. Afinal, com um povo escravo e submisso nós jamais seremos uma nação livre e soberana.

Somos mais da metade da população de um Brasil ainda muito jovem, buscando sobreviver em meio às inúmeras crises, das quais somos sempre os mais atingidos. Mas seguimos em frente, sem perder nossa alegria e entusiasmo.

Recebemos uma educação que não liberta, cada vez mais superficial e sem nenhuma relação com nosso cotidiano. Nossos professores, por mais que se esforcem, não são valorizados, os salários baixos, a falta de incentivos e investimentos dão conta que a educação não é prioridade para os mais diversos governos, nos mais distintos níveis.

Alguns apontam como alternativa educacional os cartéis das escolas particulares e muitos de nossos pais acabam por enxergar aí uma tábua de salvação para uma geração entregue cada vez mais ao próprio destino. Com isso, as escolas públicas vão se transformando em verdadeiros castelos mal assombrados, com fantasmas de todo tipo: precárias estruturas físicas, falta de material didático e de apoio, falta de professores, falta de merenda.

O ensino superior é tão distante que apenas 11% dos jovens do nosso país conseguem entrar em uma universidade e quando chegam, muitos não terminam. E terminando, não conseguem emprego.

Os classificados dos jornais são uma das principais leituras da juventude, uma vez que, com o desemprego entre os jovens apresentando índices alarmantes, chegando, por exemplo, a alcançar 72% em regiões como a metropolitana do Recife. Formamos um exército de desempregados, justamente na fase da vida em que mais temos energia e capacidade de produção.

Quando conseguimos romper este emaranhado de desafios, os salários são indignos, direitos trabalhistas inexistem e a carga horária nos impede de continuar os estudos. Somos submetidos a todo tipo de exploração e desvios de função. Não há políticas públicas de trabalho, emprego e renda para juventude.

A maioria esmagadora dos jovens não tem acesso ao caro mundo da cultura. Apenas uma pequena elite juvenil de nossa sociedade tem acesso aos raros espaços para prática, desenvolvimento e produção de cultura. Mas a juventude resiste. Descobre e abre brechas no sistema, apresenta e faz sua própria contracultura: movimento hip-hop, funk, samba, teatro, cinema, capoeira, poesia e as mais variadas manifestações populares. As políticas públicas nessa área inexistem ou são tímidas e precárias, favorecendo projetos pontuais que não contribuem para superar essa realidade

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